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Artigos
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A Imagem Católica: luta pela Preservação do Belo por Maria de Lourdes Beldi de Alcântara |
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A
perfeição da Arte consiste no fato de julgar
Tomás de Aquino
Uma
imagem vale por mil palavras, o poder reconhecido da imagem está
referendado pela Igreja Católica desde o seus primórdios,
nesse sentido, a tentativa de manter o poder hegemônico de sua criação
e distribuição marca a história sobre o conceito
de imagem vinculado aos valores morais. O
nosso objeto de estudo será a luta da Igreja Católica contra
a imagem cinematográfica, no entanto, o que irá ser analisado
por trás desse paradigma será a elaboração
do conceito de imagem que foi e é vinculado às questões
morais. Para
melhor elucidarmos, iniciaremos com um relato católico de nossos
dias: toda a imagem se presta a um equívoco e pode desencadear
mecanismo psicológicos sublineares, com repercussões profundas
na conduta das pessoas. A
tentação de imitar pode somar-se a de nos perdemos em um
mundo nebuloso, misterioso e irreal como conseqüência do poder
de evocação que acompanha toda a imagem audio-visual de
intensa representatividade. O primeiro atentado ético contra a
conduta, que pode derivar-se de uma cultura da imagem, é seu poder
monstruoso de converter a realidade em ficção, e transportar
o homem a uma certa atitude infantil, mágica da existência.
O
mundo da imagem dá lugar a uma cultura fictícia que promete
uma falsa felicidade. A cultura-ficção consiste na criação
de um mundo artificial, imaginário e frustrante. Um céu
de estrelas de pano e frívola exibição social servido
pelos meios de comunicação e com o qual tratamos puerilmente
de identificarmos. Nesse
sentido o cinema é uma fábrica de mitos, é capaz
de transportar o espectador submisso e complacente num mundo irreal mediante
a representação de imagens feiticeiras. Nesse
relato percebemos que a imagem veiculada pelo cinema é sinônimo
de simulacro, pois leva o público desinformado, ou seja "as massas",
a um processo de alienação da realidade, pois a imagem é
ficção preenchida por mitos que conduzem a um êxtase
profano. A
primeira definição que podemos salientar desse relato é
a de imagem - a imagem é definição de ficção-
de não verdade - levando a uma ação - de transportar
os indivíduos à um mundo irreal repleta de mitos- - resultando
numa total alienação do indivíduo. A Igreja diante
dessa constatação atua no sentido de " purificar" a imagem,
conceituando a verdadeira definição de imagem, ou seja,
a imagem é o reflexo do Divido nas suas mais diferentes manifestações,
assim, podemos dizer que a "verdadeira" imagem é a manifestação
do Belo e da Verdade divina. A
intenção de apresentar o texto acima, datado de 1994, reside
no fato de demonstrar a tese de que a Igreja Católica Apostólica
Romana, diante da ameaça do poder da imagem laica, clama uma postura
medievalista, eclesiástica, do conceito de imagem, ou seja, está
associada ao poder didalístico que ela representa, como dizia Honório
de Autun, a imagem é amplamente utilizada para tornar a vida dos
santos vivificada no exemplo e ao mesmo tempo serve aos incultos como
elemento primordial da formação católica. Nesse sentido,
a analogia era o signo querido por Deus para que, através da natureza,
pudéssemos entender os mistérios divinos. A capacidade medieval
estava em garantir a legitimidade dos signos empregados que traduzia para
imagem seu equivalente espiritual, l' origine de l'image est divine parce
que l'image originaire est divine. Image invisible, mais image suprême,
modèle de toute image. L'image est au commencement, car au commencement
était le Verbe et le Verbe est image de Dieu Esse
conceito de imagem permanece como núcleo do discurso da Igreja
que se destinava à combater as imagens cinematográficas.
Para melhor esclarecermos esse ponto faremos um pequeno passeio por duas
Encíclicas que discutem a produção cinematográfica. A
primeira Encíclica que menciona o cinema é a Encíclica
Vigilati Cura, datada de 1936, onde reconhece que est impossible de découvrir
aujourd'hui un moyen d' influence capable d'exercer sur les foules une
action décisive. Le cinema jouit, en effet, du privilège
unique de pendre l'hommme tout entier, de le saisir par toutes les avenues
de la sensibilité, du coer et de l'intelligence; et cela sans exiger
le moindre effort; en procurant, au contraire, un extrême plaisir.
O relato apresentado acima, 1936, é muito semelhante com o mencionado anteriormente, refere-se ao poder da imagem e ao perigo de induzir o público a caminhos não aconselháveis pela moral católica. |
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